Amigos presentes


-Sou do Rio de janeiro, Jacarepagua -Tenho de 25 a 36 anos




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É isso aí
Ana Carolina e Seu Jorge









 



Você Sabe Contar Segredos?

Segredos... Até que ponto fatos acontecidos em nossas vidas são segredos, são confidências, daquelas que só revelamos para as pessoas que acreditamos serem especiais?

Creio que chegamos a um certo ponto em nossas vidas em que coisas a que dávamos valor até a pouco tempo atrás, tornam-se banais, sem razão para serem mistérios guardados há tanto tempo.

Quem nunca teve um segredo trancado a sete chaves, daqueles que nunca sonhou contar a ninguém e depois de um determinado tempo viu que era besteira, e que quem dava o maior valor àquilo era você mesmo?

Pior é quando estamos do outro lado, onde somos nós os escolhidos para guardar os segredos e as confidências de determinada pessoa para quem acreditávamos sermos especiais e privilegiados por estarmos dividindo tais fatos que julgávamos ser muito importante para aquela pessoa. Pensamos ter feito por merecer aquela confiança e nos sentimos à vontade para também compartilharmos nossas mais guardadas lembranças, as nossas confissões.

Daí esta pessoa vê que aquele determinado assunto que ela te confidenciou, dividiu com você, não era tão particular assim e resolve que não vale mais à pena guardar entre vocês e decide então "dividir" com toda e qualquer pessoa que tenha disponibilidade e tempo para ouvir.

Como será que você se sente? O que acontece com as SUAS confissões?

Atitudes como esta nos faz pensar em todo o conceito de consideração e respeito de uma determinada pessoa em relação a nós. Nos faz ver que não éramos tão importantes assim a ponto de termos um segredo compartilhado, um assunto só nosso.

Atitudes como esta nos dá medo... Medo de que os nossos segredos que confiamos àquela pessoa, também se revelem sem importância... relevantes. Medo de que estejamos dando valor demais a coisas, fatos e pessoas que talvez não valham tanto mistério.

E você? Sabe contar um segredo?

Então da próxima vez lembre-se: A partir do momento em que se partilha um assunto em tom de confidência, aquele assunto deixa de ser somente seu e passa a ser um segredo compartilhado...um segredo de dois.



-Escrito por : Bruno às 08h01
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O Telefone vermelho - Final

Já era noite e a viagem parecia se arrastar a cada vez que eu olhava no velocímetro. Meus pensamentos pareciam ser meus piores carrascos. Teimavam em se fixar num e-mail que eu havia mandado naquela mesma manhã, ou melhor, na provável resposta deste.

O sono já começava a bater quando, num momento em que não havia nenhum carro atrás de mim, ao olhar pelo retrovisor esquerdo vejo a estrada toda prateada, iluminada por uma luz azulada que eu não sabia de onde vinha. Procurei para ver se era algum letreiro luminoso de posto de gasolina ou coisa parecida, mas naquele pedaço de estrada não havia nenhum sinal de civilização. Só havia as plantações e o matagal ao longo da rodovia.

Pensei: "Será que é agora que serei abduzido por alienígenas?" Tentei lembrar aquela musiquinha do filme Contatos Imediatos do 3º Grau, para ver se conseguia algum tipo de comunicação, mas nada...naquela hora não consegui de jeito nenhum me lembrar do diacho da música. Tentei ver se encontrava alguma caneta hidrocor no carro para fazer um cartaz daquele tipo: "ÓIA EU AQUI !!!" ; "FILMA NÓIS", mas também não fui feliz...nem um lápis cera sequer.

Resolvi então encostar no acostamento para ver que luz era aquela que estava clareando todo o asfalto, colorindo-o num tom prata-azulado.

Desci do carro, e qual não é minha surpresa ao olhar para cima e ver um céu que a muito tempo eu não via. Parecia que haviam jogado quilos de purpurina para o alto e de alguma forma elas se mantiveram no ar, tamanha era a quantidade de estrelas brilhando naquela noite. Coisas que a vida na cidade nos impede de ver pelo fato da luz artificial ofuscar o brilho das estrelas menores. Mas ainda não eram as estrelas as responsáveis por aquela luz, e ao olhar um pouco mais ao redor, lá estava ela... gorda, cheia...a Lua parecia até um queijo minas de tão redonda e branca que estava naquela noite (mais uma vez fiquei com raiva de mim mesmo de não ter levado nenhuma máquina fotográfica). Ela parecia me olhar e dizer sorrindo: "Adivinha..."

Adivinhar??? Adivinhar o que Dona Lua? Ahhh...já sei, já sei...em um lugar bem longe daqui há uma mulher que também está te vendo e sofrendo suas influências, né? A Mulher da Lua. Mas a senhora tinha que me lembrar disto logo agora...?

As pessoas que passavam por ali com seus carros, devem ter achado que eu era algum maluco qualquer, pois deitei na caçamba da pick-up com as pernas para fora e fiquei ali por uns bons trinta minutos "conversando" mentalmente com a lua. Talvez eu tenha ficado maluco mesmo, mas parecia até que ela me respondia...rs. Fiz perguntas, pedidos e promessas, essas coisas que só fazemos quando estamos num estado abobalhado. Mas foi assim que aquela lua me deixou: Bobo. (ou será que ela me revelou bobo? Não sei...)

Mal sabia eu que dali a poucas horas estaria acontecendo o eclipse...e eu estava num local privilegiado, poderia ter assistido a tudo tranqüilamente. "Idiota... quem manda não ler o jornal???"

O restante da viagem correu tranqüilamente, cheguei no local do tal site quase às 3 horas da manhã. Graças a Deus consegui resolver tudo com a equipe que estava de plantão, assim poderia voltar naquela manhã mesmo para Curitiba... Ledo engano... Quando soube que eu estava na cidade, o supervisor da tal equipe fez questão de me acordar no hotel onde pernoitei para acompanhá-lo até um outro site, onde eu pegaria uma peça para trazer pra Curitiba. Resultado: perdi o dia inteiro nesta "brincadeira". (E aquela lua não saía de jeito nenhum da minha cabeça.)

O dia, a exemplo do anterior, estava lindo. Às 16:00 hs, lá estava eu, novamente na estrada. Como meu dia já estava perdido e chegaria em Curitiba só pela madrugada, fui sem pressa nenhuma. Parei várias vezes na estrada para comprar coisas e admirar paisagens. Deparei-me com uma cachoeira lindíssima literalmente no meio da estrada. É um ponto turístico onde as pessoas param para tirar fotos. (Tirar fotos...PQP!!! Vou comprar uma máquina daquelas de amarrar no pescoço.)

Mas uma coisa estava diferente. Eu estava bem mais calmo, tranqüilo...coisa que a dias eu não me sentia assim....Sentia-me leve. Parecia que aquela "conversa" com a lua havia me feito muito bem. Nem o fato de ter sido acordado antes da minha hora por um estranho, fora motivo para tirar meu bom humor (e olha que eu pela manhã, com sono, sou péssimo...rs).

Cheguei em casa morto de cansaço...tomei meu banho e desmaiei na cama. Mas antes fiz uma promessa para mim mesmo: Eu voltaria àquele lugar com uma máquina fotográfica e desta vez registraria todas as cenas. Saberia que encontraria as mesmas árvores, as mesmas montanhas, as mesmas plantações, as mesmas cachoeiras...mas aquela lua...ahhh aquela lua...jamais a encontraria novamente.

Naquele instante aquela lua foi minha...e queria tanto ter dado ela de presente para uma pessoa...para uma mulher...a Mulher da Lua.

Não sei se você ainda existe, mas toma...é para você.

 

 

 

 

Não é a MINHA lua, mas quero que saiba que um dia ela também foi sua.



-Escrito por : Bruno às 10h29
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O Telefone vermelho - parte II

Preparei toda a viagem. Montei rota, calculei consumo, gastos, pedágios (18...um absurdo), coisas que faço para todas as viagens da empresa, mas desta vez era para mim. Parecia até aquele cachorro dos desenhos animados do Dick Vigarista, o Mutley, de tanto que eu resmungava.

Pois bem, passei em casa para pegar uma muda de roupa e conferir o "kit viagem" (chaves, carteira, dinheiro e cigarros...muitos cigarros). Exatamente às 17:30 hs, estava pegando a estrada. Puto da vida. Afinal de contas nem sabia ao certo como chegar e o que faria quando chegasse lá.

Mas assim que a paisagem foi mudando seu visual, deixando o aspecto urbano e passando a mostrar toda a beleza da natureza, foi mudando também o meu humor.

Comecei a admirar todo aquele verde que mais parecia ter sido pintado à mão, tamanha a diversidade de suas tonalidades. O sol ainda estava bem forte e o céu de uma transparência ímpar.

A cada curva que fazia, a natureza se mostrava cada vez mais sublime. As plantações de soja e trigo que mudavam a cor da paisagem para um amarelo bem clarinho, se misturava ao verde escuro da copa das araucárias, ao marrom esverdeado das montanhas e ao azul piscina do céu que naquela tarde teimava em não escurecer.

Queria ter tirado fotos, mas imbecilmente, eu não levei nenhuma máquina fotográfica.

Aos poucos fui ficando leve, calmo e já passava a gostar de ter sido escolhido para aquela viagem.

Cantava em voz alta, coisa que sempre faço quando estou sozinho e não tem nenhuma música qualquer no ambiente (não havia som no carro).

Realmente estava precisando ver coisas belas, sair um pouco do clima de escritório. Precisava de um pouco de ar puro, de um ambiente outdoor.

O volante, a esta altura, já estava sendo comandado pelo meu "piloto automático". Engraçado como, quando estou na estrada, meus reflexos e meus movimentos ficam prontos a serem acionados a qualquer momento, mas meu pensamento vagueia pelos mais variados campos, como se meu corpo fosse um robô programado para dirigir, enquanto que minha mente fica "livre" para percorrer os mais variados assuntos.

Gosto de dirigir, principalmente em estradas. Normalmente é nesta hora em que faço um balanço da minha vida, de minhas atitudes e de meus projetos para o futuro. Mas naquela tarde por mais que eu tentasse pensar em variadas coisas, meu pensamento teimava em se fixar em um só assunto. Um assunto relacionado ao dia anterior...

(To be continued...)



-Escrito por : Bruno às 09h28
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