
-Sou do Rio de janeiro, Jacarepagua
-Tenho de 25 a 36 anos

O enterrado vivo
(Carlos Drummond de Andrade)
É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.É sempre no meu sono aquela guerra.
É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.